O primeiro debate das eleições da OAB/SE, promovido pelo radialista Gilmar Carvalho, na Rede Ilha de Comunicação, ontem, dia 12, teve como ponto primordial a crítica dos candidatos de oposição à centralização do poder do atual presidente, aos gastos exagerados com a compra da nova sede, como também, da falta de cristalidade do processo eleitoral. Asseguraram que a candidatura de Carlos Augusto (Chapa 1) é a continuidade do grupo do atual presidente, Henri Clay Santos Andrade que também estava presente nos estúdios da emissora. Cauteloso, Gilmar Carvalho que também é estudante de direito e sabe que a defesa da democracia em prol dos anseios e direitos populares foi um dos instrumentos mais utilizados na história da Ordem dos Advogados do Brasil, como mediador foi melhor do que os debatedores, pois em todas as suas intervenções demonstrou conhecimento sobre a Ordem dos Advogados do Brasil.
Emília Correia (CHAPA 03 "EM DEFESA DO ADVOGADO), nos seus três primeiros minutos de apresentação das suas propostas, embora habituada nos programas radiofônicos e televisivos, demonstrou insegurança repetindo por várias vezes que é advogada pública. Criticou de forma contundente a atual gestão prometendo dar mais dignidade aos advogados. O discurso foi por deveras sofrível, mas tocou no ponto fundamental quando disse que o presidente da Ordem é centralizador fato este que o candidato da situação tentou explicar, mas não convenceu. Uma vez recuperada da apresentação nas perguntas e respostas Emília se saiu muito bem, desenvolta e com dicção correta soube conduzir uma linha de raciocínio lógico deixando os demais sem tempo de resposta. Faltou objetividade à candidata da Chapa 3, que se tivesse mais preocupada em apresentar suas propostas e não atacar os adversários teria sido muito melhor que os demais. O fato que Emília que já fora acusada de ser uma “chapa laranja” tem ganhado terreno junto aos advogados, principalmente os neófitos. No Fórum Gumercindo Bessa, onde o “general” da Chapa 1, estrategicamente montou uma linha de frente de para panfletar, sozinha ela se infiltra entre eles e dá o seu recado sem se incomodar com o exército. Falta a Emília uma coordenação de campanha mais eficaz que possa dar as diretrizes que tanto precisa para ganhar as eleições, pois provou nesta primeira contenda capacidade e conhecimento para presidir a Casa da Democracia.
Eduardo Macedo (CHAPA 2: OAB PARA TODOS NÓS), mais uma vez entrou com a serenidade de um mestre. Professor nato, Eduardo tem uma boa dicção e sabe fazer exposições explicativas e objetivas com segurança o que reflete para o ouvinte confiança e liderança. Boa apresentação. Quanto as perguntas o candidato da Chapa 2 não soube explorar a fragilidade dos adversários, faltou-lhe estratégia. Logo, na primeira intervenção do candidato da situação – Carlos Augusto -, que usando a metodologia de Henri Clay para confundir o adversário bombardeou Eduardo com uma série de perguntas pequenas, estilo bate pronto o que foi repreendido pelo mediador – Gilmar Carvalho. Entretanto, com tranqüilidade Eduardo respondeu a todas, embora na réplica Carlos Augusto de forma deselegante desmentiu o candidato da Chapa 2. Quanto as indagações de Emília, Eduardo usou o bom senso sendo cortês embora os dois tenham trocados farpas em alhures. Em suma Eduardo Macedo provou ser o mais prudente nas colocações demonstrando raciocínio lógico e desmontando as inquirições ora lhe ofertadas como muita propriedade. O ápice de sua participação foi quando afirmou que os conselheiros mais combativos abandonaram a situação e juntaram-se às chapas de oposição, outra realidade que silenciou o candidato Carlos Augusto.
Carlos Augusto (CHAPA 01 - ÉTICA E INDEPENDENCIA), sua apresentação parecia mais uma campanha de reeleição. Trabalhou seu discurso sempre na primeira pessoa, dizendo estar preparado para ser presidente da OAB pelo fato que nestes últimos nove anos participou da diretoria da casa. Sem dúvida esta experiência o gabarita para o cargo, mas nem todos os coronéis chegam a general. Com perguntas pré-fabricadas e respostas que as respondiam usou a estratégia de monólogos, pois perguntava, respondia e condenava seus adversários dizendo que os mesmos não conheciam a OAB tanto quanto ele. Esta linha usada por Carlos Augusto lembrou muito o debate ocorrido há seis anos atrás entre Henry Clay e Eduardo Ribeiro, quando Clay, acintosamente e bem instruído na época usando o livro de Recomendações da OAB venceu o debate contra Ribeiro. O fato é que Carlos Augusto esqueceu que tanto Emília Correia quanto Eduardo Macedo conhecem tão bem a Ordem quanto ele, pois já estiveram juntos em outrora. Outro ponto negativo de Carlos Augusto foi o elogio demasiado a Henri Clay alegando: “Henri Clay fez isso! Ele fez aquilo! Vamos dar continuidade ao trabalho!”. Ora falou apenas do passado não apresentou propostas produtivas, ou seja, esqueceu-se que está em jogo a troca do presidente da Ordem dos Advogados do Brasil e não de uma bola da mesma marca que fora chutada para longe do gandula. No mais, Carlos Augusto saiu-se bem e como os dois outros oponentes tem capacidade de presidir a Ordem, todavia a influência do grupo de situação poderá no futuro sufocá-lo.
Essa liberdade democrática de levar ao público as propostas e as intenções dos candidatos e estar pautada em campanhas eleitorais transparentes, sendo que a observância da ética deve ser um primado do início ao fim do período, para que a imagem da Instituição OAB não fique maculada com críticas e ataques infundados rasteiros aos adversários. O fato é que para o primeiro debate os concorrentes saíram-se bem de um modo geral, mas é preciso que haja pelo menos um ou dois debates televisivos para que estes sejam apresentados à sociedade e que possamos ver a desenvoltura e postura dos mesmos no vídeo.
sábado, 14 de novembro de 2009
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